Historiador com instinto de escritor, Robert K. Massie narra, com rigor histórico, riqueza de detalhes e ritmo narrativo, a trajetória da obscura princesa alemã levada para a Rússia aos 14 anos para casar-se com Pedro III, herdeiro do trono, e que acabou conduzindo um golpe que depôs o marido e a levou à coroação, tornando-se uma das mais poderosas e marcantes personalidades femininas de todos os tempos.
Editora: Rocco
ISBN: 9788532527998
Ano de lançamento: 2012
Páginas: 640
Classificação: ✮✮✮✮
Trivia: Robert K. Massie é historiador e em 1986 foi o vencedor do prêmio Pulitzer de biografia pela obra "Pedro, o Grande: sua vida e seu mundo", um dos maiores nomes da dinastia Romanov. Também escreveu sobre o czar Nicolau e a czarina Alexandra - seu grande interesse pela casa Romanov surgiu com o nascimento de seu filho, portador de hemofilia, doença que atingiu também o filho do último cazr.
"Catarina, a Grande: retrato de uma mulher" foi o meu primeiro contato com o gênero biográfico. Não sei se foi o estilo de escrita do autor, o gênero em si ou a própria pessoa da Catarina: fato é que estou encantada.
Li o livro em formato de ebook para Kindle, onde não é possível ver o número de páginas do livro, apenas o progresso em %. Estava até estranhando, porque eu lia, lia e não acabava nunca... Fiquei mais que surpresa ao descobrir que o livro tinha 640 páginas! Um dado que de início pode parecer assustador pra quem não tem muito contato com calhamaços, mas com certeza irrelevante para quem já começou a história: é impossível largar!
O livro é recheado com excertos retirados das Memoirs (uma espécie de diário) de Catarina ilustrando a história, tornando-a ainda mais fidedigna. Os retratos e pinturas compilados também foram um deleite e uma agradável surpresa (nunca havia folheado o livro) que fecharam o conjunto com chave de ouro. O modo com que os personagens são apresentados e explorados é magnífico: não conhecemos apenas a personalidade da Catarina com profundidade, mas também as de sua mãe, marido, antecessora Elizabeth e amantes.
Um aspecto que preciso mencionar é o painel de fundo, que Massie pinta com maestria. O livro nos leva diretamente aos costumes e acontecimentos do século XVIII. Entram no contexto intrigas de corte, guerras, rebeliões, golpes de estado e até o iluminismo que mais tarde desemboca na Revolução Francesa. Catarina era, inclusive, amiga íntima e leitora assídua de Voltaire.
Interessante também ressaltar o papel da mulher na época. Catarina foi uma mulher com inúmeros amantes que só ascendeu ao trono graças à ajuda de um deles. Relacionava-se com rapazes décadas mais novos que ela. Déspota esclarecida, fazia questão de estar a par de tudo o que estava acontecendo em seu vasto império, e tornou a Rússia uma das maiores potências europeias da época. Tudo isso um século antes de o feminismo pensar em surgir!
Estou com medo de iniciar qualquer outra biografia e descobrir que este livro é excepcionalmente bom comparado aos demais do mesmo gênero hahah com certeza, recomendadíssimo. Só não dei cinco estrelas porque realmente senti falta de um enfoque um pouco maior na relação de Catarina com seu filho e netos, principalmente durante o crescimento daquele.
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